Folclore Musical

 

Missão De Pesquisas Foclóricas

Trabalho de documentação realizado pela Discoteca Públic de São Paulo, em 1938, sob a direcção de Oneyda Alvarenga e pesquisa de campo liderada pelo folclorista Luís Saia. Material coletado nas regiões nordeste (Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão) e norte (Pará).

Este trabalho segue padrões semelhantes aos das pesquisas folclóricas realizadas por Luiz Heitor no mesmo período.

Música

 

Euá Mamnjô Euá - Xango (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

É Codó É Codó É Codó - Tambor De Mina (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

É de Mariolê, É de Mariolá - Tambor De Mina (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

Eu Vere Garapé Vodum - Tambor De Mina (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

Ô Mina Terê Terê - Tambor De Mina (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

Ai Inhanhan - Tambor De Mina (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

Música

 

Doçu Séménome - Grupo Do Babaçuê (The Discoteca Collection: Missão de Pesquisas Foclóricas)

A visão de Luiz Heitor se afinava à de Mario de Andrade. Em vários de seus estudos deixa claro que, em tese, considerava o folclore musical e a música popular como sendo a mesma coisa. Ao citar o trabalho de Mário de Andrade "A música e a canção populares no Brasil", escrito para o Ministério das Relações Exteriores, comenta, sobre o texto do literato, o seguinte: "o notável pesquisador (...) vem apoiar (...) a tese que defendi: a inexistência de música folclórica, propriamente dita, em nossa terra" (Azevedo, 1938: 18-21). Em outro estudo sobre Moda de Viola, publicado na revista Cultura Política (Azevedo, 1943:183), deixa transparecer seu pensamento sobre a música popularesca divulgada nas emissoras de rádio do Rio e São Paulo:

Não pense que se trata, aí [na moda de viola], de imperícia dos cantadores, de incapacidade deles para a emissão de sons justos. (...) Na interpretação [de um mesmo grupo de cantadores] de gêneros musicais diversos: de um lado a moda tradicional, arrastada, cantada a duas vozes; de outro a música sem nenhuma autenticidade folclórica, evidentemente imitada das irradiações do repertório popularesco transmitido pelos estúdios de São Paulo e do Rio. Pois bem, enquanto a “moda” se acha interpretada com a frouxidão de tom característica, os números da segunda espécie, entoados em uníssonos, bem ritmadamente, não discrepam da mais exata afinação.

O que nos traz à discussão é o fato de que música folclórica e música popular são expressões sinônimas para Luiz Heitor, que a considerava "o meio de sublimação da alma popular brasileira"; e música popularesca, que ele frisava como "sem nenhuma autenticidade folclórica", era o que as emissoras de rádio transmitiam. Luiz Heitor também a chamava de "música vulgar", canção das ruas, dos cabarés, sem classificação e comercial (Azevedo, 1950:10). Sua preocupação, naquela época, se fundava numa possível perda das riquezas da música folclórica, muito bem identificada em seu texto, ou seja, o medo do abandono, por parte do povo, das tradições e da forma do fazer cultural. Essa denominação e descriminação por Luiz Heitor da chamada música popularesca era originária de Mário de Andrade, seu "mentor" ideológico.