Música e Músicos no Brasil

 

O livro Música e músicos do Brasil está em sintonia com os jovens artistas engajados nas propostas reformistas culturais da corrente integrada por Mario de Andrade e àquelas que defendiam uma "brasilidade modernista" (Moraes, 1978). Embora Música e músicos do Brasil tenha sido publicado em 1950, ele é em grande parte uma coletânea de trabalhos escritos para revistas, periódicos e jornais, entre 1928 e 1948. Portanto, refere-se a um período longo de pouco mais de 20 anos, nos quais ocorreram eventos históricos no Brasil e no mundo, que transformaram a sociedade.

Capa do livro: Música de Músicos no Brasil

Capa do livro: Música de Músicos no Brasil.

Os textos utilizados em MMB foram, em sua maioria, publicados em jornais: O Imparcial, A Manhã, Jornal do Comercio e A Ordem; em revistas: Revista Brasileira de Música, dirigida por Luiz Heitor de 1934 a 1944; Revista Música Viva, dirigida pelo compositor alemão Koellreutter; Boletim da União Pan-Americana, dirigido pelo musicólogo americano Charles Seeger; Boletin Latino-Americano de Música, dirigido por Curt Lange (musicólogo alemão); Revista da Associação Brasileira de Música, em 1933, da qual Luiz Heitor era sócio e exerceu o cargo de secretário, 1930-1934; Revista Cultura Política; Resenha Musical, de Araraquara; O Mundo se Diverte, do Rio de Janeiro; Vamos Ler, do Rio de Janeiro; Noticiário Ricorde; Ilustração Musical; e dos Anais do primeiro Congresso da Língua Nacional Cantada, em 1937.

Os capítulos de Música e Músicos do Brasil estão dispostos da seguinte forma: nos quatro tópicos principais, é notória a intenção do autor em dividir seu discurso numa linha condutora que pretende fundamentar a música brasileira. Nos dois primeiros capítulos: I – Introdução e II – Passado e Presente, expressa visão sobre como ela se construiu e como se encontrava estruturada. Já no terceiro tópico: III – Compositores e suas obras, o texto é em parte uma revisão historiográfica musical que tende a defender a postura nacionalista dos compositores da época e do passado. No último capítulo: IV – Vida Musical, como o próprio autor esclarece, numa nota de introdução ao capítulo, os textos são de alguém que vivenciou a história de um período. Luiz Heitor relatou os eventos que registraram o comportamento musical compreendido entre 1930 e 1942, no Rio de Janeiro, em periódicos da época.